segunda-feira, 9 de junho de 2014

Planos

Um dia desses li um texto lindo de uma colega. Nele dizia que o futuro dela era o presente, ela nunca planejava nada. Eu sou o contrário, eu sempre programei tudo. Planejava minha vida desde minha infância. Sabia o que ia fazer, o que ia acontecer, como e em quanto tempo faria.

Mas a vida não se importou com o que eu pensava, não estava nem aí com os meus planos. Foi se moldando do jeito que bem entendeu. E eu?...Bem, eu ...adorei!... Adorei os presentes que a vida me deu, sem eu nem planejá-los. Um dos melhores foi meu amor.

Às vezes, até penso que meu amor não é para ser. Afinal são tantas diferenças, contrastes e dúvidas. Mas, ao mesmo tempo, ele é tão lindo, simples e feliz. Então acabo achando que é sim. Que é sempre. Por que sei que o amo, como se ama quem desejamos estar sempre perto. Feliz Dia dos Namorados, amor.


(Um amor que me faz voltar a escrever nesse blog, faz sorrisos dentro de mim)  

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Consegui fazer uma postagem nova


Faz um tempão que não escrevo nada nesse espaço gratuito e público. Sei lá por quê, preguiça, falta de tempo, inspiração, ou por achar que meus textos não estão lá essas coisas...Muito mudou desde o ultimo post...na verdade nem tudo...continuo a mesma sonhadora que se ferra muitas vezes, desastrada ,mistura de tímida e pseudo engraçada. Gente, mudei de emprego, de cidade, me matriculei em um novo curso superior, morando longe da mamãe e pasmem estou praticando atividade física. Quem diria...Foi tão rápido, que nem dá tempo para pensar na mudança, vou vivendo ela todos os dias.

Tudo começou com meu desinteresse pelo meu trabalho...não me via crescendo ali, não me empolgava...não dá para explicar...quando via os estagiários chegando, olhava-os com dó, pensando, “coitados, por que escolheram essa vida’... e até achava minha profissão bonita, mesmo que o meu diploma de jornalista não esteja valendo muito hoje em dia... Então vocês pensam que eu me revoltei ,pedi minhas contas e fui seguir meu caminho. Claro que não. Eles me demitiram. Eu e a maioria dos que trabalhavam comigo...Tv estatal, fim de contrato, fim de governo, sabe como é...

Quando eles atrasaram três meses o meu salário senti que era hora de mudar tudo. È, Miza, está na hora de estudar. Por que afinal você não tem dinheiro para sair mesmo, tem que ficar em casa fazendo algo útil durante as férias, para variar. E fui fazer vestibular novamente. Lá fui eu vestir a cara mais parecida que pude de uma menina de ensino médio, reviver um sonho. Fiquei tão feliz em pegar o comprovante de inscrição com o nome Direito...acordava e dormia lendo historia, geografia e literatura....

Gostei da prova, ok...Saiu o resultado , bem cedo fui atrás da lista dos aprovados, procurei, procurei e claro que meu nome não estava lá. O que eu estava pensando? Que era só assim, ficar sem dormir direito mais de um mês, ir pra revisão com a galera “teen” que já ia me transformar em uma universitária novamente? Não, não tão fácil. O que apareceu foi meu nome fora da lista dos que iam permanecer no local onde eu trabalhava...Pressentindo isso, já estava matriculada em um preparatório para o primeiro concurso que fosse aparecer...

Então lá estava eu, desempregada, sem ânimo para procurar emprego, pensei vou passar esse tempo só estudando mesmo, depois vou mendigar emprego por ai...sei lá...vender pastel...foi difícil..fazia muito tempo que não sabia o que era não ter nada no fim do mês..mesmo sendo pouco...desabafei com um professor do cursinho...que estava mau e tal...e para minha alegria geral ele contou para turma inteira que estava desempregada no meio da aula...constrangida saí quase correndo...num sei se foi pela tpm ou liseira, mas comecei a chorar a procura de um ônibus para sair dali...e então quando achei, o cobrador do ônibus disse para mim, moça eu não tenho troco...

Mas as coisas melhoraram meu nome apareceu na segunda chamada do vestibular e fui aprovada no concurso. Fui chamada para trabalhar numa cidade próxima onde eu morava, mas não tanto que pudesse ir assistir a minhas aulas todos os dias, nem sei como vou fazer, mas estou matriculada... e outra permitiram que alguém como eu, que só entrava num banco para sacar dinheiro e ver saldo, trabalhasse em um...ah ,depois eu conto para vocês tudo que acontece nesse novo mundo financeiro com a Miza nele! Beijos.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Diálogos - baseados em conversas reais


- Deu tempo de você falar sobre a bomba caseira?

-Só com os olhos

.....

-Quando eu era “o moleque” estava ótimo. Mas você começou a gostar de mim. Não esperava.

-Nem eu. Mas gosto de você.

-Não estou preparado para isso. Quero ser irresponsável nesse momento.

-Você é um moleque mesmo.

-Agora você está me entendendo.

...

-Elas se cansam de mim.

-E você se cansa do cansaço delas.

-Isso mesmo, então descanso.

...

-Eu escrevi essa poesia para você me perdoar.

-Mas eu já te perdoei.

-Você não pode me perdoar eu fui grossa e insensível.

-Se prefere assim, então não te perdôo.

-Obrigada.

...

-Meu gatinho morreu, prima.

-Mentira.

-Ele morreu sim.

-Você falou isso três vezes hoje.

-Mas agora ele morreu de verdade.

-Duvido.

Páaaaaaaaa. A menina, aos prantos, joga o gatinho defunto no chão com toda força.

-Viu. Ele morreu. (choraminga)

-Agora não tenho dúvidas.

...

-Estou desempregado.

-Não se preocupe, é passageiro.

-Preferia ser pelo menos motorista.

...

-Você continua um pobre.

-Pobre sim. Mas nunca te esqueci.

-Como assim não me esqueceu? Você está noivo de outra mulher!!!

-Isso não significa nada.

-Significa sim, você está mais pobre.

...

domingo, 31 de outubro de 2010

Super Sensibilidade Adquirida

Uma grave doença vem assolando grande parte da população mundial, mas poucas pessoas sabem que existe. Resolvi fazer um estudo sem nenhuma comprovação cientifica, colhendo os “ouvir dizeres” e observando ‘de rabo de olho’ o desenvolvimento dessa enfermidade patologicamente distribuída entre as pessoas que conheço.

Por exemplo, se você chora quando a mocinha do filme está com os olhos marejados dizendo que tem medo de seguir em frente. Fica irritado, e “solta os cachorros” quando vê alguém sendo maltratado injustamente.Não acredita quando seu amigo diz que no mundo hoje só vale o dinheiro,e tenta quase brutalmente fazer seu impoluto amigo mudar de opinião. Cuidado! Ao se identificar com pelo menos uma dessas alternativas, você pode está sofrendo de S. S. A., Super Sensibilidade Adquirida.

A S. S. A., doença comumente vinculada as mulheres , pode se manifestar em qualquer pessoa, independente de sexo, idade,nível social ou cultural. Pessoas com essa doença são normalmente taxadas de iludidas, inocentes e dramáticas. E quando ela se manifesta nos homens o preconceito é ainda maior,mas esta enfermidade às vezes pode torná-los mais charmosos para as mulheres.

Os doentes de S.S.A. tem susceptibilidade a crises de choro, ansiedade, depressão, raiva, explosão emocional, dores de cabeça e no coração. É preciso deixar claro que existem os níveis de estágio da doença. Os portadores de S.S. A. podem ficar em estado crônico quando expostos a fim de relacionamentos, briga com os amigos e perda de pessoas próximas.

Portadores de Super Sensibilidade Adquirida ficam tristes quando o amigo está, quer resolver os problemas dos outros, se sente culpado sempre por não ter feito mais do que podia e acha todo fim de relacionamento afetivo o fim do mundo.Remédios e vacinas para essa patologia ainda não foram desenvolvidos, sabe-se apenas que muito carinho e cuidado de pessoas queridas melhora o quadro da doença. O mais estranho é que quem sofre de S. S. A. muitas vezes quer continuar com isso. São sádicos e têm costume de ler textos como esse .

A origem da doença é desconhecida e o modo de transmissão também . Se você convive com alguém com a síndrome há chances de se contaminar, o fator genético é determinante, mas podem acontecer casos isolados.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

A origem do meu nome


- Como você se chama?

-Eu me chamo Miza.

-Ah...Luiza?

-Não, Miza. M-I-Z-A. Miza.

-Ah...É um apelido?

-Não, é meu nome mesmo...

-...

Essa conversa eu tenho quase todos os dias. É o mal de quem tem nome diferente ou estranho . A apresentação deixa de ser algo simples. Se meu nome fosse Maria ou Luana, só seriam duas perguntas e um “muito prazer”.

Outra dúvida comum é sobre a origem do meu nome. Queria dizer que foi inspirado em uma deusa grega que lutava pela paz e o amor ou uma rainha dos tempos antigos, mas não foi. Na verdade surgiu de um simples jogo de palavras que o meu pai fez. Ele achava bonita a palavra ‘missa’ (não me perguntem o porquê) então ele retirou o “SS” e foi colocando as consoantes até chegar a última letra do alfabeto. E ai surgiu Miza. Acho que nessa época ele não tinha muita coisa para fazer...

Meu nome foi criado antes de eu nascer. Então, meu pai ofereceu sua obra-prima para minha tia que estava grávida.Ela respondeu:’ Miza, nam, que nome estranho’. Minha prima nasceu linda,loira e com nome de cantora de MPB.

Mas, finalmente eu nasci e meu pai pode realizar sua façanha de ter uma filha com o nome Miza. Quando era criança não gostava muito dessa nomenclatura, uma vez até disse que meu nome era Marcela para uma amiguinha. Na adolescência, quando um jovem que não gostava ia se apresentar a mim, dizia que me chamava Marina. Só por preguiça de ter que repetir meu nome várias vezes. Quando passava na rua, ouvi : Eita Marina!! Eu sorria, sem graça.

Para não me sentir sozinha comecei a procurar pessoas com o mesmo nome que eu. Um amigo descobriu uma loja com o nome Miza Festas. Quem sabe a proprietária tem o meu nome? Mas o nome dela era Artemiza. No caso dela sim, era apelido. Então para contrariar a lógica dos apelidos pequenos, meus colegas de trabalho começaram a me chamar de Mizalina, Mizaltina, Mizaele... Um dia tive que mostrar minha identidade por que não acreditavam mais que meu nome era Miza.

Hoje não me sinto sozinha. Descobri que há várias Mizas nas ruas. Miza 250. Miza 150 cilindradas.Existe uma marca de moto japonesa que se chama Miza.Acho até que vou mandar esse texto para o setor de marketing da empresa. Quem sabe fazer uma campanha publicitária? ‘Sou Miza e tenho minha Miza’. Foi horrível, não é? Mas, se eu ganhasse uma Miza, já ia ser muito bom.

Apesar de todas as dificuldades que é ter um nome incomum. Eu adoro o meu. Faz parte de mim. E acho até que parece comigo: difícil de entender. O melhor de tê-lo é quando meus amigos me chamam, sinceros, com um sorriso no rosto. Acredito que um nome é só um conjunto de letras, só você pode dar vida a ele.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Nuvens de chuva


Quase todo mundo tem uma nuvem de chuva sobre a cabeça. Isso mesmo, uma nuvem. Algumas são mais escuras, tempestuosas e truculentas. Outras, mais brandas e se deixam influenciar pela ações das frentes frias ou secas. Um menino que conheço tem uma nuvem que se forma toda vez que alguém o chama de feio. É o complexo dele. O que deixa pequeno, encharcado de água e raios. Tem uma mulher que isso acontece quando ela se sente pobre. Quando não consegue comprar o que acha que todo mundo deve ter.

As nuvens negras deixam as pessoas sombrias e muitas vezes se formam durante a infância ou adolescência. Existem até especialistas que cobram para tirar nuvens de chuva da cabeça. Mas há os que fazem de graça, são os amigos e a família. Eu tento ajudar os outros com suas nuvens. Afinal, eu sofro com as minhas. Às vezes, tento correr mais rápido que elas e me escondo em casa quando elas estão nebulosas. Tenho medo de acabar trovejando em alguém.

Há quem use até guarda-chuvas especiais para tentar se proteger. Eles vêem com bula e contra-indicações. O certo é que você também pode tentar adestrá-las e diminuí-las. Ás vezes elas até desaparecem por um tempo. As nuvens também não tem significado certo pode ter motivos pessoais, profissionais ou culturais.

O pior são as nuvens que criam outras. Muitas delas podem resultar até casos trágicos. Um dos segredo é enxergar a sua nuvem, descobrir o porquê dela está ali e partir para o ataque, use as mãos, as palavras, as ações boas e atividades interessantes.Fazer delas um desafio para deixar os dias ensolarados é uma alternativa.

domingo, 25 de abril de 2010

Penetra



Uma noite nublada, árvores espessas e um portão antigo. Mais adiante uma casa sombria com duas pessoas de branco sentadas a porta. Parece uma descrição exagerada e estereotipada, mas era assim. Minha primeira vez ali. E por pura curiosidade entrei em um Centro Espírita.


Logo quando cheguei tive que fazer um cadastro, não gostei daquilo. Era como se aquele papel lhe fizesse ter um compromisso de voltar, e eu não sabia nem se ia ficar ali até o final. Como cheguei atrasada, fiquei meio perdida. Fui encaminhada para uma sala onde uma mulher discursava para iniciantes como eu. Entre as falas da mulher uma me chamou atenção: ‘A noite vocês pensam que estão sozinhos, mas não estão”. Era só o que faltava para eu não dormir direito, pensei.


Depois dela ter falado de curas,histórias de espíritas e de como seria o tratamento espiritual, então percebi que estava ali de penetra. As pessoas procuram o centro quando tem problemas.E eu não tinha nada de muito sério para resolver, só minha curiosidade. Como eles iam tratar isso?

Ela então perguntou se as pessoas presentes queriam ser entrevistadas por alguns membros do centro, para expor suas dificuldades. Claro que fui. Em uma parte da casa, os iniciantes eram divididos em cabines, onde em cada uma, pessoas com roupas brancas escutavam o que se tinha a dizer.


Na minha cabine tinha um homem jovem, sereno, tranqüilo, daqueles que parecem que não se irritam com nada, nem que você der uma paulada na cabeça dele. Eu me senti bem a vontade, e como sou tagarela, comecei a contar meus problemas cotidianos. Confesso que me senti mais leve e até fiquei amiga dele, ele estava até contando a história de quando conheceu sua mulher.


Só no final me lembrei que tinha minhas curiosidades a serem tratadas. Então veio a enxurrada: Você vê espírito? Como eles são? Tem algum perto de mim? E esse negócio de áurea, você vê a minha, ela está carregada? E a resposta era: Não, não, não, não. Ele não era médium, era só um dos que seguiam a doutrina espírita. Só revelou algumas respostas vagas. Então percebi que minha investigação tinha apenas começado. E pior, estava ficando tarde e começou a chover forte.


Ao sair da cabine, me vi numa encruzilhada para chegar até a parte da saída da casa. Para chegar lá, tinha dois caminhos: ou eu ia pela parte externa, pela chuva ,ou enfrentava duas salas vazias de um centro espírita. Como demorei muito, a maioria das pessoas já tinham ido embora. Pensei como seria sair dali com o cabelo e as roupas todas molhadas ou enfrentar duas salas escuras, com uma mesa bem grande cheia de cadeiras vazias, que pareciam ser usadas em sessões em que os espíritos ‘baixavam” nas pessoas.


Por mais estranho que pareça eu escolhi passar pelas salas. Andei rápido, tentei olhar só para a última porta que deveria abrir para sair. O medo maior era que ela estivesse trancada. Estava encostada, alívio. Ao sair foi louvada pelos mais experientes. “Nossa, a primeira vez em um Centro Espírita e passou por duas salas escuras, sozinha”. Então, respondi: Sou rápida.


Depois que sai, descobri algo importante. Minha amiga me informou que no final do tratamento espiritual, o médium que coordenava o centro conversava conosco. Mas, tinha um detalhe, ele estaria incorporado pelo espírito de um médico psiquiatra. Era esse médium que teria minhas respostas. E eu não ia esperar até terminar o tratamento para tê-las.

sábado, 6 de março de 2010

Hora da novela


“Minha vida é uma novela’, eu escutei isso de uma velhinha que passava do meu lado. E pensei: Não mesmo,vovozinha, minha vida não é o que passa na televisão. Vamos combinar que os folhetins romanesco estão bem longe da vida real. Claro, tem algumas pinceladas de lembranças das nossas vidas, mas ...


É inacreditável o que vejo nas novelas. O que acho mais hilário é questão da paternidade. Nunca o personagem é filho de quem realmente pensa. Deve ser muito comum por onde os escritores vivem ,mas até agora não conheço ninguém que passou por isso. E claro, que o pai do ator principal é o um cara riquíssimo, e que ele tem um romance com alguém que ele acha ser sua irmã. Então descobre que não é.Reivindico que todos os personagens façam teste de DNA no inicio da trama, para nos poupar desse ‘suspense”.


Tem também a cena do esbarrão. É aquela cena em que a mocinha encontra com o mocinho numa esbarrada. Ela derruba tudo no chão destrambelhadamente e o rapaz ajuda a pegar os livros, caneta, bandeja, ursinho de pelúcia, ou qualquer porcaria que tem nas mãos dela. E então é fato. Eles se apaixonam. É uma pena que nunca tenha encontrado o Rodrigo Santoro assim. Bem , se isso já aconteceu com vocês me avisem. Pois em todos horários, em todas as novelas acontece.


E os diálogos? Sério, são tão artificiais. Não falo dos atores. Eu me refiro ao teor do texto. Muito melosos. Minha mãe não fica dizendo toda hora que me ama. Ela tem mais o que fazer. Fora que são tão formais. Às vezes penso que o verdureiro da novela é formado em Harvard.


As roupas então são impecáveis. Se os atores representarem pessoas ricas então... Nunca vi ninguém com aquela blusa folgada, com buraquinhos, que todo mundo tem para ficar em casa. Nem os mais pobrinhos. Maquiagem certa na hora certa. Deve ser chato, não ter ninguém para a gente fofocar: “Aquela roupa estava horrorosa, que batom é aquele’.


Sei que as telenovelas são feitas com todo cuidado. Tem vários profissionais envolvidos, autores consagrados. E que são idealizados no que as pessoas querem. Mas acredito que o público quer mais que os clichês dos clichês. Aliais, nós merecemos. Sei também que a fantasia é que nos atrai. Já imaginou você chegar do trabalho cansado e ver seu personagem preferido todo sujo e molambento. Não sei se agradaria a todos. Mas, deixaria nossos ídolos um pouco mais humanos.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

As picuinhas do cotidiano


Está difícil atualizar esse blog. Sei lá, ando sem inspiração e achando meus textos tão ruins que não dá nem para postar. Primeiro escrevi um diálogo de um suicida, achei deprimente demais. Ontem tentei escrever sobre a segregação musical das pessoas, mas também não gostei. Resta-me pensar no que anda me incomodando. Por que só escrevo o que me incomoda, ou sobre algo que acho tão legal que me incomoda se eu não colocar para fora nessas linhas. Não estou sentindo nada me cutucando. Mas sempre tem as picuinhas do cotidiano que espero que pelo menos diminuam em 2010:


. Desejo que todas as baterias de celular tenham carga eterna em 2010, sempre quando estou fora de casa ela descarrega. Vale também alguém inventar um celular a energia solar.


. É indispensável que nesse novo ano as chaves de casa permanecem no local em que nós a colocamos. No meu caso tenho uma amnésia crônica e nunca sei onde esse bendito artefato se encontra.


-Que o tempo não mude repentinamente quando eu saia do cabeleireiro. Sempre vem uma nuvenzinha ou a umidade do ar para deixar meu cabelo nem liso, nem cacheado. Ou pior, vem um calor de rachar que me faz suar e tirar o efeito da escova. (bem fútil, hein...mas sou mulher... rs)


- Que os livros, CDs ou DVDs que compramos ou pedimos emprestado, pensando que é maior obra de arte, não sejam aquele tédio total ou uma viagem nada filosófica.


-Que haja dinheiro para nós comprarmos aquela roupa tão sonhada, aquele óculos bacana, ou utensílio que você sempre deixa para depois, usando aquela velha frase: “Quando eu tiver dinheiro, eu compro...” Eita dia demorado...


-O computador e a internet não devem travar bem na hora que estamos mais entretidos com essa ferramenta maravilhosa que é o WWW... Que nossa paciência sobreviva aos ataques de lentidão que nossos PCs nunca ficam imunes.


-Espero que ninguém nos chame quando estivermos pegando no sono, e quase sonhando com o Reynaldo Gianecchini, ou se você for homem , pode ser a Juliana Paes. Mas, isso sempre acontece, e acabamos gritando: O que é , menino.. Vamos tirar ou diminuir a emissão desses tipos de frases-respostas para coisas chatas.Para isso, que diminua as coisas chatas.


-Menos gritos que estalam nos nossos ouvidos nas ruas, em casa ou vindos dos vizinhos. Menos “chamadas de atenção” no trabalho , na escola ou na universidade.


-Que mais pessoas saibam para onde ligam. E que você não atenda seu telefone pensando ser aquela pessoa especial e acaba triste dizendo: Não, aqui não é do Clube do Professor!


-Que não haja problemas para serem resolvido logo bem cedo da manhã.


Ah, são vários detalhes e aborrecimentos que fazem parte da nossa vida. O que nos resta é tentar encarar com bom-humor e fazer desse ano novo ano o que queremos dele. Desejo a todos meus amigos ou desconhecidos que acompanham meus textos ou que nunca leram eles, aquelas breguices que todo mundo diz, mas que são clichês legais de se realizarem: saúde, paz, amor e sucesso sempre!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Verifique sua caixa de mensagens



Email, segundo o dicionário, (não,vou confiar na Wikipédia dessa vez): é um método que permite compor, enviar e receber mensagens através de sistemas eletrônicos de comunicação. Fato: Se você tem uma caixa de mensagens está sujeito a receber todo tipo desses verbóides da internet. Mas por que as pessoas insistem em mandar correntes de email que simplismente serão esquicidas ou felizmente apagadas sem serem lidas? Pelo menos, eu faço isso.

Outra dúvida me ferre, por que ainda existem mensagens começando com ameaças de morte,de sequestro ou de de historias infelizes como esta: “Uma menina apagou sem sequer ler todo esse email.Grande Erro!Mais tarde naquele dia, recebeu um telefonema da polícia. Era sobre seu namorado! Tinha sofrido um acidente. Não sobreviveu.”Nem o Fred Kruger inventaria isso. E o namorado dessa menina seria tão azarado de ainda virar piada nesse texto? E pode piorar. Há os que te desejam 100 anos de má sorte se você não repassar a porcaria do email que na maioria das vezes é uma mensagem melodramática ou algo sensacionalista. Eu devo está no mínino condenada a cadeira elétrica. Por que nunca na minha vida repassei esses emails.

Já aprendi a identificar esse tipo de badulaque da perca de tempo: primeiro se você ver "FW:Enc: "antes do nome que caracteriza o email fique atento, e se depois vem as palavras boa, urgente e lindíssimo. Então, tenha certeza, vai ser: ruim, dispensável e brega. Pode haver algumas exceções raras, mas se você quiser correr o risco de abrí-los, fique a vontade. Só queria saber quem preenche seu tempo fazendo aquelas mensagens de Power Point com brilhinhos e corações, com recursos musicais e textos enormes de lições de vida e lendas. Um importante fator de reconhecimento é ver o remetente. Sempre tem um amigo seu que tem gosto refinado para mandar essas peripécias.

Como na internet nada tem dono, muitas vezes recebi textos em que se escreve qualquer barbaridade e no final assinam: Charles Chaplin,Chico Xavier, Arnaldo Jabor (esse é campeão), ou outro autor da preferência do criador do email. E ainda há os que copiam as frases mirabolantes desses textos nos MSNs e perfis orkutianos.

Está bem, vou confessar que existe um tipo desses emails que gosto. São os de piada, claro. Bom humor sempre é bem vindo. Até agradeço quem me manda, só não esperem que eu repasse. Por simples falta de hábito, mesmo. Se vocês virem Miza@ seguido de FW:Enc: me avisem, alguém clonou meu email.

Enfim, se você comentar esse texto, poderá ter uma surpresa no final do dia. O grande amor da sua vida vai ligar para você....é mentira , não resisti.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Conversas de velório


Ao chegar ao velório de um amigo, fui percebendo as peculiaridades que povoam essas cerimônias fúnebres. É impressionante o que se ouve nesses momentos. Quando estava tomando um café que era servido no local, não pude deixar de escutar, uma conhecida dizer:

-“Eu sonhei com ele se despedindo”.


Essa frase, em forma de previsão, já escutei várias vezes nessas situações. Mas não sei por que os defuntos iriam se despedir de pessoas que eles só viram umas três vezes.


Não tão distante da mulher da previsão havia um grupo simpático que debatia as últimas horas de vida do falecido. E então como eu estava esperando saiu essa máxima:


- “Ele parecia que sabia que ia morrer”.


Claro, a frase vem acompanhada de alguma atitude do morto que poderia ser totalmente normal, caso ele não fosse morrer poucos instantes depois.


Como em todo velório meu amigo foi beatificado. Algo natural. Até dívidas foram perdoadas. Depois que se morre, não importa se a pessoa tratou mau alguém, se foi egoísta ou se roubou uma velhinha. Afinal, ele morreu, coitadinho. As qualidades dos mortos chegam a ser paranormais de tanto que são ressaltadas. Após sua morte, meu amigo acabou virando melhor em tudo. Uma amiga da mulher da previsão falou:


-”Ele era o melhor filho”. Imagina se ela fosse a mãe dele mesmo.

Mas não há de se negar que existe uma espécie de solidariedade incomum nesses momentos. Vi uma tia-avó do primo do falecido acalentando um quase parente sobre a perda daquela pessoa a qual ela nunca tinha visto viva. Estranha, mas educada. Depois a tia-avó se juntou a um grupo que estava na parte dos comes e bebes. São as pessoas que tornam o evento mais social possível. E de lá ouvi o “disse me disse”:


-“Você viu como ela engordou? “.“ Mentira, eles se separaram?”. “ Não acredito que o João , tão próximo dele não veio!
Vi também os que se preocupavam de verdade, os que choravam e amenizavam o sofrimento da família. Mas o choramingo relâmpago de algumas pessoas prendeu minha atenção. No celular um falou baixinho, com o nariz vermelho de choro:


-“Espera um pouco, depois que eu sair daqui eu vou assistir o jogo com vocês”. Ou era a novela? Não lembro bem.


Porém acredito que o ser humano está sujeito as suas fraquezas. Principalmente quando se trata de assuntos como a morte, de difícil aceitação e compreensão. Aversa, ao que via e ouvia, resolvi abraçar a família do meu amigo. Sai silenciosamente, não tinha o que dizer.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

A música de cada um


Existem pessoas que tem música. Transmitem melodia com os olhos, com os gestos, com as palavras. É aquela gente que você conhece há pouco tempo e parece que já era amigo há várias gerações. Ou o contrário, você conhece há muito tempo e sempre tem algo novo para te contar ou te ensinar. Pessoas de sorriso fácil. Entende suas piadas rapidamente. Você se sente em casa mesmo estando no trabalho ou num lugar esquisito. Eu escuto a música dessas pessoas de forma clara e cada uma tem um ritmo diferente.


As melodias que eu mais gosto são as que transmitem ritmos alegres, contagiantes, sempre de bem com a vida. Dá vontade de dançar quando estou perto dessas pessoas de tão forte que transmitem a música. É uma sensação tão boa que não vejo a hora passar quando estou perto delas. Não dá medo de me sentir ridícula com atitudes ou frases estranhas que deixo escapar às vezes.


As músicas mais barulhentas vêm daquelas pessoas rabugentas, que se irritam com facilidade e explodem quando provocadas. A primeira vista você não consegue escutar direito é uma confusão de sons, mas ao ver que quando se acalmam são justas e amigáveis, entende que elas precisam de uma freqüência alta de notas musicais para se sentirem vivas.


Também existem aquelas melodias aconchegantes, com som de abraço apertado. Alguns te lembram a infância, te passam segurança, são as músicas de pessoas que te acompanham desde pequeno ou de alguém que te passa tanta tranqüilidade que dá vontade de ficar no colo e pedir cafuné. Há ainda os que sabem que são musicais, e como utilizar a música e fazem dela batucada no coração de muita gente.


Mas tem pessoas que não consigo ouvir. Aumento o mais alto no controle remoto dos meus sentidos, mas não escuto nenhum som que venham delas. Geralmente, são as pessoas que me transmitem medo, as que dificultam o brilho nos olhos dos outros, que fazem piadinha da vida. Ás vezes tenho dó delas, pois não conseguem superar os problemas e fazer deles música.

sábado, 24 de outubro de 2009

A vida e suas verdades


Detesto verdades absolutas. Aquelas máximas que as pessoas usam como desculpa para tudo. Frases repetitivas que de tanto serem ditas acabam virando lei. Uma que escuto muito é: trabalhar com gente é horrível. Não deve ser tão maravilhoso ter ninguém para ouvir bom dia no trabalho, para pedir uma opinião, para desenvolver uma idéia, não ouvir alguém te perguntar sobre o cabelo novo, sobre sua mudança de humor, sobre sua feição mais bonita num dia de verão,( em Teresina, prefere-se o inverno).


Outra que acho célebre é: era bom mesmo quando era criança. Ninguém lembra do sofrimento e do medo das primeiras decepções. Daquele herói que passava na TV e que você descobriu que não era de verdade. De quando se perdeu e não sabia como voltar para casa. As pessoas se prendem a idéias fixas, desvalorizando que estão vivendo no momento e o que podem viver.


Eu também já usei muitas dessas desculpas e frases para esconder meus erros e ocultar minhas frustrações, mas procuro a cada dia num trabalho diário de desintoxicação cultural tentar ver as coisas como elas realmente são. Até mesmo quando te falam: se você não estudar, não vai ser ninguém na vida. Não acredite. Primeiro: Você já é alguém.Sabemos que muitas pessoas que não estudaram se destacaram, como esportistas,ganhadores da loto mania, um empregado que depois de muito trabalho virou patrão. Claro que a leitura e o estudo te dão um leque bem grande de opções, mas infelizmente não te dão garantias reais para você se dar bem na vida.


O engraçado é que essas “verdades absolutas” acabam virando ditados populares. E daí vem frases das mais estranhas e até hilárias. “Deus ajuda quem cedo madruga’. Usar o nome de Deus assim e assumir o que ele fala acho até pecado. Não sei se tem algo na Bíblia a respeito, mas se não tiver acho que até colocariam para dar mais credibilidade .”Dinheiro não traz felicidade”.Esse não vou nem comentar. Afinal, depende do que é felicidade para cada um.”Quem avisa amigo é”, encontrei já vários inimigos que adoram me avisar, principalmente as más notícias. Seria uma infinidade de frases que querem te colocar idéias para seguir, o bom é que existe uma variedade enorme para se escolher.Porém, você pode fazer sua própria frase.Mas isso também poderia ser um idéia que quero te colocar, não deixe que pensem por você.

domingo, 11 de outubro de 2009

Tributo a Nicéia

Quando cheguei na minha casa, os olhares eram de reprovação. Existia uma lei bem clara ditada pela dona Eliane, minha mãe: não quero cachorro aqui. Então, coloquei meu pequeno pedaço de satisfação no chão, balançando o rabinho para lá e para cá.Meu irmão já veio logo usando seu mau humor habitual: “Tira esse cachorro daqui, ele é feio demais. Nem de raça é. E esses olhos esbugalhados, magrelo? Tira daqui!”Nem dei ouvidos, para mim era o cachorro mais lindo do mundo, na verdade cachorra, nunca tinha tido uma.Sem querer ou não, ela acabou ficando.Seguia-me para todo lado, dormia na minha cama, era uma festa.

Ah, detalhe ela foi praticamente roubada. Pelo menos para alguns amigos meus. Meu vizinho a tinha me dado para eu mostrar para minha mãe e se ela gostasse, ficaria, mas falei que seria muito difícil isso acontecer. Ele ficou me esperando na porta, diz a lenda que ele ficou até muitas horas no mesmo local me esperando, e que a irmã dele não tinha permitido a doação. Foi uma confusão. Só menor do que para escolher o nome da minha cachorra.


Tinha vários nomes meigos em mente. Princesa e Barbie estavam no topo da lista. Mas claro, que meu pai tinha que pensar nos nomes mais estapafúrdios para colocar na minha cachorrinha. Na época os jornais colocavam em evidência o caso de um político que estava sendo denunciado pela própria mulher. Meu pai disse que minha cachorrinha era tão danada como essa tal esposa, e adivinhem o nome dela: Nicéia Pitta. Meu pai insistiu tanto que ficou. Nicéia.Era realmente o melhor nome.


Com o tempo ou falta dele, minha cachorrinha deixou de me seguir, e passou a acompanhar minha mãe. Não fiquei com ciúme. Também minha mãe era ótima no que fazia, em ser mãe.Acabei virando irmã mais velha de Nicéia, às vezes a mais nova.Passei a ser a segunda pessoa que ela mais amava.


Ela tinha mania de latir muito quando alguém batia a porta. Era nossa campainha. Mas na hora que as pessoas entravam ela se calava. Uma medrosa valente. Já passei bons bocados por causa dela. Como, por exemplo, quando ia iniciar minhas aulas na universidade, sem querer deitei sobre ela no sofá. Numa velocidade ímpar ela se agarrou a meu nariz. Isso mesmo, foi mordida bem no nariz no primeiro semestre de jornalismo, tive que tomar três injeções anti-raiva.Fiquei alguns dias sem falar com ela. E ela nem se importou. Eu que não resisti e peguei-a no colo para dançarmos ao som de qualquer música. Adoro dançar e ela muitas vezes era meu par na sala de casa. Ela também adorava ficar nos meus braços, só que agora eu protegia melhor meu nariz.


Percebi que Nicéia tinha personalidade forte no dia meu pai trouxe outro cachorro para minha casa. Fora um presente de um amigo. Era lindo. Um filhote da raça fila, cinza, gordinho, nos o chamavámos de Popó.Na hora de dividir a ração, Nicéia sorrateiramente empurrava o filhote para lado até ele cair. Era mais rápida e sempre derrubava ele nas perseguições por comida. Se mostrava bem mais inteligente, e o Popó teve um fim trágico. Meu irmão o atropelou por acidente, pensei até que iria fazer terapia por isso, de tão mau que ele ficou com a situação. Então a Niceia continuou a reinar como o única espécie canina da casa .


Eu sempre foi responsável em enxugar a Nicéia na hora do banho. Só minha mãe a banhava. Tinha um gênio forte. Quando a enxugava colocava o pano amarelo cobrindo as orelhas e dizia para todo mundo que ela era a Jade, a mulçumana. Ela nem ligava.Nicéia também era muito ciumenta. Ninguém podia beijar a mamãe na frente dela. E para vaciná-la? Era um tormento. Dava mais trabalho do que um pastor alemão. Sendo que ela tinha a fisionomia de um cachorro da raça pinche, só que era branca com uma mancha preta, grande e simpática perto da barriga.Sempre se escondia debaixo da cama quando estava com medo e não tinha quem a tirasse de lá, mordia mesmo.O tempo passava e ela continuava sempre ali nos acompanhando, até nas viagens a nossa terra natal.


Até que um dia o pior aconteceu. Nicéia correu, se bateu na mamãe e começou a ter convulsão no meio da sala. Parecia que tinha se engasgado com água. Seus olhos eram vagos. Mamãe começava a se lamentar: “Não tem mais jeito”. Eu não sabia o que fazer, para quem ligar, para onde levá-la . Eu a nunca tinha a visto daquele jeito se batendo no chão, parecia realmente que ela tinha pouco tempo de vida. Covardemente, fui para quarto da mamãe me encolhi no escuro e comecei a rezar, me arrependi dos carrapatos que não consegui tirar dela, das vezes que não a levei para passear, dos pedaços de carne que não dei no jantar.Chorei muito.Mas a voz do meu irmão foi bendita: “Ela se levantou”.


Corri para onde ela estava e vi o quanto ela estava magra. Preparei um leite gelado para ela, que relutantemente tomou, mas logo teve outra convulsão, dessa vez mais rápida, mas voltou ao normal. Em casa, ninguém dormiu nessa noite. Nós a levamos por hospital veterinário no outro dia. Foi horrível a ver fazendo os testes, e mais ainda tê-la longe durante três dias em que ficou internada. Durante nove anos ela nunca tinha dormido fora de casa. O veterinário, que cuidou da Nicéia, era muito simpático e confiante. Ele informou que ela tinha uma virose, mas que não dava para identificar se era o tipo mais leve ou a mais grave. Com a melhora da minha cachorrinha ele a liberou e indicou uma medicação simples. Mas só fomos embora depois de ter esperado muito tempo para acharem a ficha dela no hospital e também tive que tirá-la das mãos de uma veterinária estranha que queria tirar o sangue dela para fazer um teste de um novo remédio para carrapato. (Era só o que faltava).


Nicéia ainda estava muito fraquinha e minha mãe a recebeu com um sorriso enorme.Foi ótimo ver a felicidade nos olhos das duas. Pena que foi por pouco tempo. Nicéia passou o dia normal, se alimentou bem, ficava zangada quando a gente fazia as coisas que não gostava. Mas no outro dia tudo se alterou. Começou a ter convulsão novamente. Liguei para o veterinário que pediu para dar água com mel para ela e para no outro dia levá- la para o hospital veterinário. Mas não deu tempo. A noite a convulsão foi mais forte.Minha mãe usou a mesma frase de antes: “Não tem mais jeito”. E dessa vez ela tinha razão. E depois de uma pequena análise, ela falou: “A Nicéia se foi”.


Timidamente, me escondi na parte da casa que está inacabada por conta de uma reforma e chorei. Durante a madrugada solucei muito e alto, até minha mãe brigar comigo: “faz mau sofrer assim por causa de um bicho”. Fiquei feliz por poder chorar e chorei baixinho. Ainda vejo o sofrimento forte nos olhos da minha mãe quando ela lembra da Nicéia.Sei que doeu mais nela quando vimos a colerinha rosa que ficou no quintal de casa.

sábado, 19 de setembro de 2009

O mundo dos otários


Otário é feito para ser passado a perna. E para vê os “malas” , os “bons”se dando bem.Mas o otário não vê na felicidade doentia do “o Cara” motivo de satisfação. Otário que é otário, gosta de coisas difíceis.Incrivelmente difíceis. Por isso é otário.Com tantas coisas fáceis a disposição, o otário sempre quer mais que isso, e o pior, sem atalhos, acredita que caminho certo deva ser seguido, mesmo que seja longo.Um saco, mas acreditem eles são felizes assim.

Uma das maiores características desse tipo de gente é a ingenuidade, para quê desconfiar das pessoas, qual a grande graça de mentir e sacanear com os outros? Otários não se alimentam desses vícios para se sentirem bem. Não precisam disso e pensam que os outros também são como eles. Mas não são. A classe dos otários vem perdendo vários adeptos, e são espécimes raros em certas cidades, como Brasília.

Geralmente otário gosta de ler e estudar, e é motivo de graça por isso. Tem tendências para a timidez. Quer ver um otário em pânico:coloque-o para falar em público. Você vai assisti a maior espetáculo de carnificina para eles se estiverem em frente a um palco. Otário são emotivos.São famosos por chorar até ao assistir comercial de margarina.

É bom lembrar que há vários tipos e níveis dessa categoria. È fácil catalogá-los, alguns dá para perceber de longe, são meio desajeitados, roupas fora de moda, excêntricos. E há também aqueles que você demora um pouco para reconhecê-los, eles se fingem de descolados, extrovertidos mas na hora de topar “uma parada sinistra” eles caem fora. Eles têm vários medos.

Conheci muitos otários ao longo da minha pequena vida. Tentei arduamente não pertencer a essa classe discriminada, sofrida e angustiada. Mas sou uma espécime legitima e hoje tenho até orgulho de ser um deles.E acredito: o mundo é dos otários!
Música que me disseram ser pano de fundo desse texto! Valeu, Jujuba! kkk

sábado, 5 de setembro de 2009

O dia D


Pela madrugada tinha feito um resumo de como fazer a baliza. Não sei se isso ia ajudar, mas pelo menos me deixava tranqüila, como se fosse um bizu de vestibular. E lá ia eu decorando a formula mágica até chegar a auto-escola. Claro que logo o meu instrutor tinha que atrasar e me deixar mais nervosa ainda. Só uma pessoa como eu faria o teste do Detran, para tirar a carteira de motorista ,sem ter certeza de nada com relação a um carro. Eu já havia faltado um teste e adiado o último marcado, não dava mais para fugir.


Aprender a dirigir tem sido um martírio para mim. Meu pai viaja muito então o carro nunca estava em casa, porém eu e meu irmão rachamos e pagamos nosso super carrão popular usado...A única pessoa habilitada que passa muito tempo em casa é meu irmão, que quando me ensina a dirigir é com aquelas palavras maravilhosas:” Não está vendo o carro não”, “eu tenho que dizer toda vez que não é assim?”, “te ensinaram isso na auto escola?”. Uma vez sai chorando do carro. Dirigir exige pratica, não é algo que se aprende lendo. E para praticar tenho que estar ouvindo as barbaridades do amor fraterno...


Enquanto para muitos dirigir é como andar de bicicleta,(acho que por isso eu nunca tive uma), para mim era como segurar as rédeas de um cavalo selvagem. O máximo que consigo é dirigir com meu irmão do lado até o trabalho bem cedo pela manhã quando o movimento do trânsito é menor, claro, ouvindo as mesmas barbaridades de sempre, talvez isso deva ser um dos motivos para o meu péssimo desempenho no volante.


Mas lá estava eu numa sala cheia de gente desconhecida esperando ser chamada para forca. Não me lembro de sentir tanto medo assim na minha vida. Fiz uma volta de reconhecimento com o meu instrutor, quando ele saiu não agüentei e pedi, fica aqui. Ele sorriu e falou como um pai: fica tranqüila que vai dar tudo certo. Na hora que ele saiu o carro começou a estancar, do lado de fora uma instrutora procurava por seu aluno, “alguém viu um rapaz loiro? ele sumiu e não fez o teste”. Fiquei com inveja do rapaz loiro.


Confesso que pensei nos meios ilícitos de conseguir minha carteira por realmente não me sentir preparada para aquilo. Pensei comigo então: todo muito enfrenta isso, tenho que encarar. Quando meu instrutor saiu percebi que nunca tinha ficado sozinha com um carro antes, sempre com o meu irmão do lado, ou com alguém da auto-escola. Agora entrava no carro duas mulheres que nunca tinha visto antes com chapéus que lhe davam mais ainda um ar de fiscais que querem te ferrar. E lá ia eu sinalizando mais que guarda de trânsito.


“Vá para baliza três”, era uma ordem. Então comecei a praticar a formula, gira para direita, gira para esquerda, embreagem, marcha ré, dois giros para alinhar....Ouvi uma voz que vinha de fora: pode tirar. Bom sinal. Tirei o carro. As chapeludas ordenaram para que eu seguisse para o percurso. Ai não resisti: Eu passei na baliza? Uma delas falou que sim.Fiquei tão feliz por conseguir. Mas era tão improvável que não pensei no resto. Não tinha articulado nenhuma formula mágica para fazer o percusso, por que realmente nunca achei que iria chegar nele. Achava que não passaria da baliza.


Logo na saída estanquei o carro, as chapeludas começaram a se irritar fazendo pedidos simultâneos, fiz estacionamentos bem distantes da calçada. Antes do final do percurso já tinha desistido. Até as fiscais se sensibilizaram e falaram para eu ficar mais tranqüila. Mas na minha mente só tinha que eu havia passado na baliza. Meu sorriso só desmanchou quando me falaram de preço do reteste. Tenho quinze dias para inventar uma outra formula mágica para passar no teste. Até o próximo embate.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Miza, versão repórter


Amigo --Você vai ser uma ótima repórter!


Elefantes, flores e música pairaram pelo ar.


Assim quando comecei a fazer o curso de jornalismo sempre me interessei pela reportagem, pois, sou curiosa, gosto de conversar com as pessoas, ver o que está acontecendo, fora que adoro escrever. Faltava eu acreditar nisso.


Tenho pais funcionários públicos e lógico eles querem me ver igual a eles. É aquele papo de estabilidade, segurança, aposentadoria certa. Mas e a aventura e a adrenalina?Sei que isso não paga conta, mas dá brilho nos olhos e borboletas na barriga. Foi o que aconteceu quando vi pela primeira vez meu nome no quadro da edição, estava lá: Miza e Batista,repórter e cinegrafista.


Eram três matérias, nada de mais, aquelas mais fáceis para principiantes, mas para mim foi a glória. Já acompanhava a equipe de reportagem por vários sábados e tinha feito uma matéria, gostaram do meu texto! Oba!Desde então fico a espreita de qualquer oportunidade. Nem tinha dormido direito, tinha desenhado tudo na minha cabeça, não queria deixar ninguém esperando, fiz no tempo certo, com sono, e com uma voz que ainda transparece um pouco a falta de experiência.


Mas eu sei que tive a ajuda de alguém, de um amigo. Gosto de pessoas como ele. Daqueles que não tenho medo de olhar nos olhos e que acreditam em mim. Sou muito transparente, meus olhos me denunciam muito, sinto que sabem o que estou pensando. Ele sabe! Disse: Deixa com Miza ,ela dá conta! Falou isso para a diretora, o mais importante despertou isso em mim. Espero poder ser o que ele falou na última matéria que fiz e que mencionei no começo do texto: uma ótima repórter! Obrigada!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Tumulto


Faz tempo que não escrevo aqui, pois ai vai.....

Tumulto

Bem , já fiz 25 anos e ai? Namorado? Não. Trabalho?Alguma coisa. Faz bem dois anos que não tenho um namorado de verdade. Sou romântica ao extremo, e acredito que um pouco incompetente quando o assunto é relacionamentos amorosos. Você deve estar pensando que devo ser uma maior broaca, chata, tímida demais por não conseguir me relacionar, ou no mínimo sou uma tapada. Até que não sou muito isso tudo ai, sou loira, magra, ‘dou para fazer um caldo”.Trabalho com jornalismo, o que me exige desinibição. Agora ser tapada, talvez possa ser.

O último namorico que tive descobri que ele tinha namorada. Lágrimas intermináveis, mas realmente sabia que ele não prestava, já tinha me dado vários “bolos”, mas eu carente, na verdade queria que desse certo algum romance meu. Mesmo, sabendo que ele não tinha nada haver comigo.Ele era o estilo playboyzinho, tudo pago pelo pai, tinha o que queria, só falava sobre som de carro, acho que nunca leu um livro que não fosse obrigado pela faculdade. Claro, estou colocando só os defeitos, estou revoltada. Ele era bonito, simpático, papo magro, daqueles que fala o que toda mulher quer ouvir, mesmo ela tendo certeza que é tudo mentira. Eu também sou muito fácil quando tenho uma quedinha por alguém. Meu celular com crédito é um perigo. Homens gostam de mulheres difíceis, não “carentonas” como eu.

Tenho vergonha de contar como sou carente. Adoro carinho, sou pior que gato que fica se enroscando nas pernas dos donos quando quer um xodozinho. Mas não sei por que essas coisas românticas de encontrar um grande amor no supermercado, numa trombada no estacionamento, caindo da escada, nunca acontecem comigo. Aliais nem os encontros arranjados de amigos dos amigos meus surtem efeito. Não sei se foi mandiga, ou se sou azarenta, ou é por que como disse no inicio sou muito incompetente nesse aspecto. Eu vejo que com os outros flui mais fácil. Acho que preciso de um analista, talvez no dia que tenha coragem de ir, então só preciso imprimir essas páginas e esperar ele ler. Mas minha amiga falou que eles falam só o senso comum. Bem, mas ainda preciso conferir.

Esqueci de falar que apesar de não me achar tímida, às vezes até muito extrovertida, acredito que tenho senso de humor,(você deve estar me achando gabola, não se preocupe, você deve ter uma pessoa te esperando quando terminar de ler isso, enquanto eu vou continuar escrevendo sem ninguém para encontrar ). Mas tem momentos que eu deveria tomar as atitudes certas e outras em que eu deveria esperar. Bem, faço tudo ao contrário.

Engraçado que às vezes vou para esses shows, micarinas, boates, onde geralmente as pessoas se encontram, ficam, beijam na boca, e eu volto intacta. Dá um medo beijar alguém que eu nunca vi, de vez enquanto rola sim, mas não engata. Não vejo frutos. Eu fujo, coloco obstáculo, ou não acontece nada mesmo, não tenho do que fugir.Bem, eu queria ter alguém para abraçar no fim do dia, e que ele sorrisse para mim feliz por me ver. Ai, como eu sou brega!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Brejinho


A estrada é de terra. O sol forte. Vejo ondulações e buracos no caminho. Raras bicicletas passam por mim. Uma vaca descansa perto da cerca. Porcos fogem pelo mato. E quanto mato. Árvores secas, grandes, pequenas, algumas coloridas. Tem marasmo nas folhas. Alguns frutos nascem, resistem ao calor. O caju, a carambola, a manga e a acerola alegram a paisagem. Pequenas plantações rodeiam as casas. Milho, feijão, melancia. Também há canteiros de cheiro verde e cebola. Porém, o cinza do verão prevalece. Uma porta de madeira de madeira se abre em um abraço. Acolhe minhas angústias, minha outra casa, o terreno do papai.

Falando de amor......


Todo amor deveria ser correspondido. Deveria ser simples. Intenso e poderoso. O ser amado deveria sentir o que sentimos. Deveria ser assim como nos filmes americanos e nos poemas de Drummond.
Queria ser apaixonável a cada instante. Ser sugada e absorvida por essa força que chamam de amor. Mas, amar não é certo, nem perfeito. É humano (às vezes até desumano ou será animal?).Inconsciente ou consciente, sempre dúvidas e desalinhos rodeiam o amor. Amar é mistério. É inconseqüente, delirante.