terça-feira, 7 de julho de 2009

Miza, versão repórter


Amigo --Você vai ser uma ótima repórter!


Elefantes, flores e música pairaram pelo ar.


Assim quando comecei a fazer o curso de jornalismo sempre me interessei pela reportagem, pois, sou curiosa, gosto de conversar com as pessoas, ver o que está acontecendo, fora que adoro escrever. Faltava eu acreditar nisso.


Tenho pais funcionários públicos e lógico eles querem me ver igual a eles. É aquele papo de estabilidade, segurança, aposentadoria certa. Mas e a aventura e a adrenalina?Sei que isso não paga conta, mas dá brilho nos olhos e borboletas na barriga. Foi o que aconteceu quando vi pela primeira vez meu nome no quadro da edição, estava lá: Miza e Batista,repórter e cinegrafista.


Eram três matérias, nada de mais, aquelas mais fáceis para principiantes, mas para mim foi a glória. Já acompanhava a equipe de reportagem por vários sábados e tinha feito uma matéria, gostaram do meu texto! Oba!Desde então fico a espreita de qualquer oportunidade. Nem tinha dormido direito, tinha desenhado tudo na minha cabeça, não queria deixar ninguém esperando, fiz no tempo certo, com sono, e com uma voz que ainda transparece um pouco a falta de experiência.


Mas eu sei que tive a ajuda de alguém, de um amigo. Gosto de pessoas como ele. Daqueles que não tenho medo de olhar nos olhos e que acreditam em mim. Sou muito transparente, meus olhos me denunciam muito, sinto que sabem o que estou pensando. Ele sabe! Disse: Deixa com Miza ,ela dá conta! Falou isso para a diretora, o mais importante despertou isso em mim. Espero poder ser o que ele falou na última matéria que fiz e que mencionei no começo do texto: uma ótima repórter! Obrigada!

terça-feira, 30 de junho de 2009

Tumulto


Faz tempo que não escrevo aqui, pois ai vai.....

Tumulto

Bem , já fiz 25 anos e ai? Namorado? Não. Trabalho?Alguma coisa. Faz bem dois anos que não tenho um namorado de verdade. Sou romântica ao extremo, e acredito que um pouco incompetente quando o assunto é relacionamentos amorosos. Você deve estar pensando que devo ser uma maior broaca, chata, tímida demais por não conseguir me relacionar, ou no mínimo sou uma tapada. Até que não sou muito isso tudo ai, sou loira, magra, ‘dou para fazer um caldo”.Trabalho com jornalismo, o que me exige desinibição. Agora ser tapada, talvez possa ser.

O último namorico que tive descobri que ele tinha namorada. Lágrimas intermináveis, mas realmente sabia que ele não prestava, já tinha me dado vários “bolos”, mas eu carente, na verdade queria que desse certo algum romance meu. Mesmo, sabendo que ele não tinha nada haver comigo.Ele era o estilo playboyzinho, tudo pago pelo pai, tinha o que queria, só falava sobre som de carro, acho que nunca leu um livro que não fosse obrigado pela faculdade. Claro, estou colocando só os defeitos, estou revoltada. Ele era bonito, simpático, papo magro, daqueles que fala o que toda mulher quer ouvir, mesmo ela tendo certeza que é tudo mentira. Eu também sou muito fácil quando tenho uma quedinha por alguém. Meu celular com crédito é um perigo. Homens gostam de mulheres difíceis, não “carentonas” como eu.

Tenho vergonha de contar como sou carente. Adoro carinho, sou pior que gato que fica se enroscando nas pernas dos donos quando quer um xodozinho. Mas não sei por que essas coisas românticas de encontrar um grande amor no supermercado, numa trombada no estacionamento, caindo da escada, nunca acontecem comigo. Aliais nem os encontros arranjados de amigos dos amigos meus surtem efeito. Não sei se foi mandiga, ou se sou azarenta, ou é por que como disse no inicio sou muito incompetente nesse aspecto. Eu vejo que com os outros flui mais fácil. Acho que preciso de um analista, talvez no dia que tenha coragem de ir, então só preciso imprimir essas páginas e esperar ele ler. Mas minha amiga falou que eles falam só o senso comum. Bem, mas ainda preciso conferir.

Esqueci de falar que apesar de não me achar tímida, às vezes até muito extrovertida, acredito que tenho senso de humor,(você deve estar me achando gabola, não se preocupe, você deve ter uma pessoa te esperando quando terminar de ler isso, enquanto eu vou continuar escrevendo sem ninguém para encontrar ). Mas tem momentos que eu deveria tomar as atitudes certas e outras em que eu deveria esperar. Bem, faço tudo ao contrário.

Engraçado que às vezes vou para esses shows, micarinas, boates, onde geralmente as pessoas se encontram, ficam, beijam na boca, e eu volto intacta. Dá um medo beijar alguém que eu nunca vi, de vez enquanto rola sim, mas não engata. Não vejo frutos. Eu fujo, coloco obstáculo, ou não acontece nada mesmo, não tenho do que fugir.Bem, eu queria ter alguém para abraçar no fim do dia, e que ele sorrisse para mim feliz por me ver. Ai, como eu sou brega!

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Brejinho


A estrada é de terra. O sol forte. Vejo ondulações e buracos no caminho. Raras bicicletas passam por mim. Uma vaca descansa perto da cerca. Porcos fogem pelo mato. E quanto mato. Árvores secas, grandes, pequenas, algumas coloridas. Tem marasmo nas folhas. Alguns frutos nascem, resistem ao calor. O caju, a carambola, a manga e a acerola alegram a paisagem. Pequenas plantações rodeiam as casas. Milho, feijão, melancia. Também há canteiros de cheiro verde e cebola. Porém, o cinza do verão prevalece. Uma porta de madeira de madeira se abre em um abraço. Acolhe minhas angústias, minha outra casa, o terreno do papai.

Falando de amor......


Todo amor deveria ser correspondido. Deveria ser simples. Intenso e poderoso. O ser amado deveria sentir o que sentimos. Deveria ser assim como nos filmes americanos e nos poemas de Drummond.
Queria ser apaixonável a cada instante. Ser sugada e absorvida por essa força que chamam de amor. Mas, amar não é certo, nem perfeito. É humano (às vezes até desumano ou será animal?).Inconsciente ou consciente, sempre dúvidas e desalinhos rodeiam o amor. Amar é mistério. É inconseqüente, delirante.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Viagem


Medo e comédia. Eram estes as duas sensações que se passavam na minha mente e do meu amigo Irno. Estávamos sentados na rodoviária da cidade de Teresina. Fazíamos perguntas inúteis sobre o concurso que nos inscrevemos e tivemos a ousadia de tentar realizá-lo. O concurso, simplesmente, era o sonho de qualquer jovem formando. Relações Públicas da Petrobrás. Provas em Fortaleza, capital cearense.


Então, claro, movi rios e montanhas, para convencer cinco amigos a compartilhar esse meu sonho. Mas, apenas Irno, talvez até inocentemente, persistiu até o final. Três amigas minhas até pagaram a inscrição, mas só eu e Irno chegamos à rodoviária. Sentia-me responsável por ele. No fundo achei que ele estava embarcando numa idéia deslumbrada minha, meio que distraidamente. Pior, era minha bengala, me apoiei nele, (nunca faria isso sozinha) e nas minhas próprias palavras que lhe repetia: “vai dar tudo certo!”.


Bem, as probabilidades eram mínimas de aquilo dar certo. Nunca tinha ido a Fortaleza, muito menos o Irno. Minto, tinha passado pela capital cearense, quando tinha onze anos. A única pessoa que conhecia ali, que aliais iria conhecer, era a prima de segundo grau de uma colega de trabalho. Alguém com que tinha falado duas vezes no telefone e mais duas vezes pela internet.


Foram dez horas cansativas de viagem, chegamos fortemente abatidos ao solo cearense. Ligamos para nossa “amiga-desconhecida” e aguardamos. O pouco tempo que passamos ali, pareceu os dez mil anos da música de Raul Seixas. Enfim, um carro branco parou e uma menina de cabelos vermelhos sorriu. Um milagre. A partir daí tudo deu certo, como eu havia repetido para o Irno.


Fiquei encantada com a estrutura e beleza da cidade. Percebi que preciso viajar mais e como tenho pouco conhecimento de mundo. A prova do concurso foi a parte mais triste da viagem, a nossa pontuação foi fraquíssima, principalmente para quem já sonhava com o primeiro salário da Petrobras. Mas a motivação inicial da nossa visita a Fortaleza ficou pequena diante do que conhecemos: o espaço cultural da cidade, o artesanato, restaurantes, praias, mas o principal foi o fator humano.


Fomos tratados de forma muito especial, por nossa amiga (agora conhecida há anos-luz) Gina. Tudo vai ficar marcado, até os tombos que levamos no mar tentando acompanhar o nado do irmão mais novo de Gina. Foi um final de semana único, daqueles para relembrar sempre com amigos numa mesa de bar, de deixar saudades.


quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Auto-retrato



Bem, resolvi falar de mim. Direto e abertamente. Senti-me influenciada por uma amiga de um blog, ai . Nunca divulguei meu blog, ele realmente é muito pessoal, incompreensível até, são textos soltos de temas diversos, nem sei classificá-los. Por que classificar o que sentimos é muito difícil. Descrever-me também é bastante complicado, por que todo dia é uma briga interna do que eu sou, do que eu quero e de quem eu poderia ter sido.


Acabo sofrendo por coisas tão antigas ou insignificantes para os outros. Meu blog depende do que me motiva a escrever. Um dia desses encontrei uma menina simples no ônibus e me comovi com ela, fiz um texto, outros são neuras pessoais, amores indecifráveis, sentimentos avulsos e complexos intraduzíveis.


Hoje resolvi que quero sim que meu blog seja lido, saber se o que escrevo faz sentido para alguém. Acredito que meu problema é que tenho dificuldade em desabafar, então procuro um meio figurado ou esquisito de ser eu. Por que quando escrevo sou eu, são minhas idéias que lavram as palavras, é minha pitada de vida no papel, ou na tela do computador.


Então é isso, eu sou Miza de Oliveira, prazer. Sou sonhadora, distraída às vezes, sou jornalista, sou família, sou música nos pés, no gogó e nos ouvidos, sou livros na mão e quem sabe um dia um meu na prateleira. Acredito na educação, no trabalho árduo, na dedicação aos sonhos e no respeito ao próximo.

domingo, 21 de setembro de 2008

Vestido


Ela estava sentada nas cadeiras finais de um ônibus urbano. Era meio-dia, o sol escaldante. Usava um vestido branco, um pouco encardido nas pontas. Feito de um crepe barato e áspero. Babados e pregas o enfeitavam. Parecia feito para uma ocasião especial, não condizente com as sandálias de plástico azul que a menina calçava. Várias marias-chiquinhas nos cabelos davam um ar infantil ao seu escasso sorriso de criança. Precisava levar as mãos ao vestido muitas vezes, para organizar os botões que escorregavam de suas casas, denunciando a ineficiência da roupa. O balanço do ônibus movimentava a bolsa que carregava a mão, do mesmo material das sandálias, parecia que havia sido um brinde ao comprá-las. A cor escura da menina contrastava com o imenso anúncio branco que havia no fundo do ônibus. Dizia: Você pode!Displicentemente, a menina desceu do ônibus em uma rua movimentada. Sozinha, com um olhar débil de quem não sabia a onde ir.